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Saiba como é dirigir pelas estradas da África do Sul

Engana-se quem pensa que as estradas da África do Sul são ruins e perigosas. Muito pelo contrário: arriscamos dizer que são melhores e mais seguras do que as nossas. Além da infraestrutura de primeira, a paisagem é deslumbrante, com trechos que podem realmente desviar a atenção do motorista da direção.

Fizemos as duas principais rotas do país – Panorama Route (Rota Panorâmica) e Garden Route (Rota Jardim). A primeira é formada por vegetação diversificada, rios e cânions – entre eles, o terceiro maior do mundo. Já a segunda conecta atrações culturais e naturais da África do Sul, incluindo vista para o mar e acesso às vinícolas, que são abertas para visitação. Rodamos por volta de 3 mil quilômetros e destacamos os pontos a seguir:

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1) A direção fica no lado direito

É a chamada mão inglesa. Diferente, portanto, do padrão brasileiro. O motorista fica do outro lado, e isso causa muitas dificuldades para nós, que não estamos acostumados. Para fazer com que o cérebro entenda que mudou o padrão, é preciso tempo. Tivemos dificuldades nos primeiros 2 ou 3 dias, especialmente no primeiro, ainda na garagem da locadora de veículos. Usamos inclusive a garagem para treinar. Ficamos dando voltas ali (tamanha insegurança no início) – e errando muito –, com olhares curiosos dos motoristas ao redor…rs, especialmente dos seguranças do estacionamento.

A dificuldade começa no painel do veículo, já que as setas ficam do lado direito, e não do esquerdo. Sendo assim, o limpador de para-brisa está no lado esquerdo. Isso significa um festival de acionar o limpador – em vez da seta – nos primeiros quilômetros rodados. Outro desafio é fazer as conversões. No Brasil, a conversão deve ser aberta. Já na África do Sul, ela é fechada. Se bobear, você atinge de frente o carro que vem na direção contrária! Na rodovia, a faixa de alta velocidade é a da direita, e não a da esquerda, o que exige atenção para não segurar o trânsito.

Dirigindo pela áfrica do sul.

2) O pedágio é digital

É tudo muito simples: ao passar com o carro pela praça do pedágio, que conta com uma estrutura de ferro com câmeras, a cobrança é feita automaticamente. Todos os carros contam com um dispositivo que se comunica com essa estrutura. Um bip confirma a transação. Ao alugar o carro, você já tem que deixar bloqueado determinado valor no cartão de crédito que representa uma estimativa de quanto será gasto com pedágio. A vantagem do pedágio digital é não ter que parar em nenhum momento nem ter que ficar separando dinheiro para pagamento. Essa dinâmica é positiva para evitar engarrafamentos, ainda que eles possam ocorrer por motivos bem imprevisíveis.

3) Explosão de mina pode interromper o tráfego

Sim! Estávamos atrasados para pegar o voo de Joanesburgo para Cidade do Cabo e tivemos que parar porque o trânsito da rodovia foi repentinamente interrompido. Saímos do carro para perguntar o que estava acontecendo aos locais, que responderam com naturalidade: explosão de mina, um procedimento que costuma durar 30 minutos. E aí não tem como sair do lugar! É uma questão de segurança, já que a explosão faz muito barulho e espalha poeira. Nossa sorte foi que o procedimento estava no fim. Esperamos uns 15 minutos.

4) Limite de velocidade é alto, e estrada tem muitos radares

Como as rodovias são boas, o limite de velocidade é alto. As estradas da África do Sul podem ser vencidas rodando a 100, 120 ou 130 quilômetros por hora – são basicamente esses 3 limites que se revezam. Mas cuidado: se você ultrapassar a velocidade regulamentar, a chance é alta de ser multado. E os radares são traiçoeiros: muitos estão escondidos nas pilastras das pontes e das passarelas que cortam as rodovias.

Dirigindo pela áfrica do sul.

5) Não precisamos de Permissão Internacional para Dirigir (PID)

Fomos parados pelos policiais em duas ocasiões para procedimento de rotina, a primeira vez na Panorama Route e a segunda na Garden Route. Em nenhuma delas, eles nos pediram a PID, documento que pode ser obtido no Detran pagando uma taxa de R$ 362,67 para quem mora em São Paulo – consulte o passo a passo no site do Detran-SP. Eles nos pediram passaporte e CNH (Carteira Nacional de Habilitação). A PID também não foi solicitada pela locadora de veículos, que somente exigiu passaporte e CNH.

Caso você não esteja familiarizado com a PID, trata-se de uma tradução da sua CNH para diversas línguas, como inglês, espanhol e francês. No site do Itamaraty, a recomendação é estar com a PID nos países que integram a Convenção de Viena, um tratado internacional formado por mais de 100 países que prevê a possibilidade de reconhecimento nos países signatários da carteira de habilitação como válida para dirigir. Além da África do Sul, fazem parte desse tratado Estados Unidos, França, Inglaterra, Portugal, Alemanha, Itália, entre muitos outros.

Dirigindo pela áfrica do sul.

6) Um tapete para qualquer automóvel

Vamos repetir: as estradas da África do Sul são muito boas. Não encontramos nenhum trecho de terra, o que significa que alugar o carro mais simples da locadora já dá conta – o nosso foi alugado pelo site da RentCars. Quanto aos buracos, eles não existem – tanto é que fizemos um exercício e tentamos puxar pela memória algum, mas felizmente não obtivemos sucesso. Em alguns trechos da rodovia, em poucos trechos, você vai encontrar obras. Passe por eles com a velocidade reduzida porque há radares móveis que podem render aquela multa indesejada.

7) GPS é indispensável

Para quem vai se aventurar nas estradas da África do Sul como nós, o GPS é item indispensável. Afinal de contas, você estará em muitos momentos totalmente fora de rotas turísticas. Também não poderá contar com a ajuda dos locais, pois, em trechos extensos, não havia sequer uma pessoa para dar informação.

Ao falar de GPS, falamos também de internet. Utilizamos o chip da EasySim4U, que funcionou muito bem até mesmo nos locais mais remotos. Como dissemos, vencemos por volta de 3 mil quilômetros – muitos deles afastados dos centros urbanos.

Dirigindo pela áfrica do sul.

8) Cuidado com a polícia rodoviária

Como escrevemos anteriormente, fomos parados duas vezes pela polícia. Na segunda, que foi em um daqueles postos rodoviários no meio da estrada, tudo correu como previsto, com os policiais trabalhando normalmente e fazendo seu trabalho padrão de verificar nossos documentos (CNH e passaporte) e os do carro.

O problema foi a primeira parada, ocorrida na Panorama Route. Na saída da cidade de Graskop, o policial inventou uma infração, disse que não havíamos parado o carro para fazer uma conversão. Depois de muito insistirmos sobre não termos feito nada, conseguimos a liberação, sem pagamento de multa. Foram minutos tensos. De fato, quando estamos fora do nosso país, sentimos uma insegurança maior e não sabemos ao certo como agir em situações como essa. Felizmente, nós nos mantivemos tranquilos e insistimos de forma educada sobre a ilegalidade do que estava acontecendo. Estávamos preparados psicologicamente para problemas como esse porque já tínhamos lido a respeito em outros blogs de viagem.


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E aí? Gostou do post? Quer fazer alguma pergunta? Ou deixar um comentário? Fique à vontade e aproveite sua viagem pelas estradas da África do Sul! 🙂


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